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Contos Selvagens!!!!

Mensagem por Josey Wales em Dom Fev 26, 2012 9:46 pm

CONTOS SELVAGENS

Extraído da revista Wizard publicada em agosto de 2006. Por Cristopher Lawrence


“Robert E. Howard foi para o inferno.”

Se você crer nas palavras do Reverendo B.G. Richbourg. ele não teve escapatória Howard cometeu suicídio: tirou uma vida - a dele - com as próprias mãos e, ao fazer isso, cometeu um pecado imperdoável.

Sentado em meio aos fiéis, escutando a homilia cheia de som e fúria, o pai de Howard, Dr. Isaac Howard, estava irado. Já não bastava ter perdido o filho de 30 anos? Ainda tinha de ficar ali no funeral sofrendo com aquele pregador que condenava meu filho ao inferno?

Robert teria dado risada disso.

Todo o espetáculo - a começar pelo obituário de Howard (um amigo o chamou de o maior obituário que a cidade tinha visto), seguindo-se do sermão do pregador e terminando com a subseqüente cobertura dos serviços funerários (o jornal local disse que os amigos lotavam a igreja alem da sua capacidade") - teria feito Howard urrar histericamente.

Toda a atenção dedicada a ele. . Howard teria achado aquilo risível, até mesmo hipócrita.

Aquelas pessoas - a "multidão" da pequena Cross Plains, no Texas - talvez tivessem comparecido á Igreja Batista por causa de seu pai, um respeitado médico, ou por sua amada mãe, que faleceu poucas horas depois do filho, mas a ideia de que iriam a algum lugar para prestar tributo a ele.., ora, isso era absolutamente ridículo.

Aquelas pessoas não ligavam para ele. Não gostavam dele. Nem sequer eram seus "amigos".

Tampouco sabiam que Howard era o pai de Conan, o Cimério, assim corno o criador de Solomon Kane, Kull, o Conquistador e Bran Mak Morn. Para eles. Robert era um excêntrico que costumava socar fantasmas quando andava pelas ruas, um rapaz esquisito que escrevia historias "aceitáveis", um homem confuso que. em 11 de junho de 1936. "disparou um tiro de pistola na cabeça".

Por causa desse tiro, Robert E. Howard, foi, nas palavras do Reverendo Richbourg, direto para o inferno.

O que o pastor... e os moradores da cidade... não se deram conta é que Howard teria apreciado a viagem.

Lá. ele poderia viver livre das regras da assim chamada sociedade "civilizada'.

Lá. ele poderia encarar os inimigos de frente.

No inferno, pelo menos. ele poderia ter tido a chance de uma luta.


INIMIGO MEU

Para Robert Ervin Howard, a imaginação era uma espada de dois gumes.

Um de seus maiores dons (ele figura entre os mais influentes autores de fantasia do século 20), a habilidade de "ver" o irreal era talvez sua maior maldição também.

"Durante os 30 anos de sua vida, acredito que Howard viveu em dois mundos", escreveu E. Hoffman Price sobre o amigo.

Um era o mundo reconhecível pelas pessoas comuns, uma vida que Howard certa vez descreveu como "tediosa e banal". O outro, um reino de ilusões e paranóia, um lugar de assassinos, conspiradores e inimigos ardilosos, inimigos que eram - nas palavras de Price - o "equipamento padrão" para Howard.

Essa última perspectiva pode ter surgido, em parte, a partir de sua infância. Sempre um paria, até mesmo um desajustado. Howard teve dificuldade de encontrar aceitação onde quer que fosse. As constantes mudanças de cidade de seu pai faziam dele o eterno novo garoto da escola, e sua estatura - era uma criança fraca e doente - o tornou alvo das brincadeiras dos colegas.

Isso o levou a uma obsessão com a forma física. À medida que amadurecia, foi se esforçando para adquirir o que o autor H.P. Lovecraft descreveu como "a compleição robusta de um lutador nato".

Depois de assistir ao filho tomar parte em "uma longa série de socos em sacos de areia, levantamento de pesos, exercicios de resistência e treinamento de musculação em geral", o Dr. Howard perguntou o que o levava a fazer tanto esforço.

Ele respondeu: "Pai, quando eu estava na escola, tive de agüentar um monte de coisa porque estava sozinho... então, resolvi fortalecer meu corpo para, quando alguém cruzar meu caminho, eu poder fazê-lo em pedaços, se dobrar de dor e quebrar seu pescoço com minhas próprias mãos".

De acordo com os biógrafos de Howard, o autor jamais precisou recorrer a lutas corporais para se vingar violentamente de alguém. Mas aparentemente acreditava que esse momento - quando sua vida sena ameaçada e a sobrevivência seria o prêmio do combatente mais forte - estava sempre na iminência de ocorrer.

Na verdade, ele esperava ser atacado. Como notam seus biógrafos L. Sprague e Catherine Crook de-Camp no livro Dark Valley Destiny (inédito no Brasil), o escritor estava tão certo de que sofreria uma agressão, que chegou a usar a barra de suas calças cinco centímetros mais curtas que o normal: "Ele queria que seus pés, sempre enfiados em sapatos de cano alto, como os de um lutador de boxe, estivessem livres quando precisasse se defender".

Em uma reminiscência incluída em The Last Cell, Price relata um passeio que fez com Howard pelo interior do Texas. De repente, sem qualquer aviso, o escritor parou o carro e sacou uma pistola do bolso. Ele esquadrinhou cuidadosamente o campo, depois guardou a arma dizendo: "Tenho uma porção de inimigos, todos ao redor. Não que eu achasse que estávamos indo ao encontro de algum, mas precisava me certificar".

Como se suas tendências moderadamente paranóicas e delirantes já não o distinguissem dos habitantes comuns de Cross Plains, suas escolhas de vida o distanciaram ainda mais dessa comunidade, um rompimento que começou na juventude.

Numa época em que os rapazes costumavam passar o tempo livre se esforçando para fazer carreira como cowboys, trabalhadores de estradas de ferro ou operários dos poços de petróleo, Howard devotava uma par-e igual de seus dias (se não mais) a ler. Ele devorava livros - "Eu leio simplesmente porque adoro ler" - dizia. Sua paixão pela leitura era tão forte que afirmava ter invadido colégios da vizinhança para pilhar as bibliotecas durante as lérias de verão.

"Eu precisava ler. E lia, mesmo que as ameaças da lei pesassem sobre mim. Era algo que estava além do meu controle. Literatura. de uma forma ou de outra. era a carne, a bebida e o vinho da vida para mim."

Numa época em que os jovens costumavam seguir os passos profissionais de seus pais (ou, pelo menos, procuravam arranjar empregos práticos, "respeitáveis"). Howard visava se tornar, acima de tudo, um autor.

Escritores ou quaisquer profissionais que persigam carreiras artísticas criativas não abundavam na região central do Texas na época da Grande Depressão, um fato que tornou o criador de Conan uma espécie de mistério, até mesmo um desapontamento, em sua cidade natal. "Eu fui o primeiro a acender a tocha da literatura nesta parte do país por menor, frágil e fácil de apagar que essa chama pudesse ser", alegava Howard.

"De fato, Robert era um rapaz solitário porque as pessoas à sua volta pouco entendiam de sua vida e de seu caráter. Seus escritos não tinham muito apelo para aqueles que o rodeavam", escreveu certa vez seu pai.

Se combinarmos isso com as mudanças de humor de Howard e seus episódios depressivos, os bigodes de morsa, o casacão e o enorme chapelão que usava, e as ocasionais lutas de boxes com as sombras em meio às ruas, não é difícil imaginar que ele freqüente-mente era visto com chacota. Até mesmo com desdém.

"As pessoas por aqui pensam que sou maluco", disse o escritor cena vez. "Ninguém acha que eu valha muita coisa."


MEDO DA MORTE

A violência, o horror e a destruição desenfreada que recheiam as páginas das fantasias profissionais de Howard dão a falsa impressão de que o autor era, para todos os efeitos, pouco sensível ao sofrimento das outras pessoas. Ele linha pavio curto, sim, uma personalidade tingida de "humores negros", mas aqueles que o conheciam bem o descrevem como um homem educado. cortês, atencioso até. Uma criança crescida que nunca soube como dar adeus àqueles que amava.

"A atitude de Howard com relação à morte continuou sendo a de uma criança pequena a quem falta a compreensão adulta de todas as suas implicações", escreveram os deCamp, "Ele não aceitava a morte como a conseqüência inevitável de um dado ciclo da vida."

Se esse era o caso, o reconhecimento da iminente mortalidade de sua mãe deve ter sido torturante. Hester Ervin Howard sofria de tuberculose, um mal quase sempre fatal naqueles tempos, e escapar dos efeitos debilitantes da doença não era tão simples quanto dirigir até uma cidade vizinha para tentar a sorte.

Não que ele tivesse pensado em partir, mesmo se pudesse. Howard e sua mãe compartilhavam uma ligação especial. Para o escritor, ela era - como detalharam os deCamp - a "única pessoa com cuja afeição e companhia ele podia contar inteiramente", alguém que o apoiava, o aplaudia e se preocupava com o que fazia consigo mesmo.

“Hester Howard vigiava Howard continuamente, da infância a idade adulta, escolhia sua comida, selecionava os amigos, guiava suas leituras e pairava sobre ele", dizem os autores de Dark Valley Destiny.

As opiniões a respeito do relacionamento de ambos variam. alguns o descrevem como intimo além do normal, até mesmo de dependência (os deCamp sugerem que "a constante orientação e os mitos da importância da família da Sra. Howard não deram a ele a oportunidade de desenvolver a própria vida"): enquanto outros o classificam como uma ligação leal entre mãe e filho. Inquestionavelmente, porem. os dois possuíam um elo mudo intenso e - bem antes de sua morte - o escritor decidiu que não iria viver sem sua mãe.

"Toda a vida, Howard disse que, se ela morresse, ele se mataria", declarou a enfermeira Kate Merryman para os autores de Dark Valley Destiny.

Pensamentos de suicídio não eram incomuns para o escritor. Em suas cartas, ele falou da “atitude insensível e hostil do mundo" e - de acordo com o biógrafo de Howard Rusty Burke - "muito de sua poesia... reflete forçosamente sua inclinação mental para o suicídio".

Antes de chegar aos 25 anos, Howard considerava que seus me-lhores dias tinham ficado para trás.

Como ele explicou ao editor Famsworth Wnght: "Ganhar a vida dando duro nesse jogo de escrever não é fácil. Uma hora ou outra um de nós descobre que prosseguir e muito difícil e estoura os miolos, mas faz parte do jogo, reconheço".


FIM DA FANTASIA

No dia 8 de junho de 1936, Hester Howard entrou em corna e, paradoxalmente. o humor de seu devotado filho se iluminou.

“De repente, ele se tornou bastante animado, com o entusiasmo de um homem que, perplexo diante de uma situação complicada, resolveu que curso de ação seguiria". escreveram os deCamp.

Os preparativos para o fim do “Jogo” já haviam começado - Howard forneceu ao seu agente instruções para tomar conta de suas histórias e manuscritos; e de um amigo pegou emprestado um Colt .380 automático. Após saber da condição irreversível de sua mãe. o escritor dirigiu até um cemitério e reservou três campas; uma para cada um de seus pais e a terceira para si mesmo.

Pouco depois do amanhecer do dia 11 de junho, Howard perguntou à enfermeira se ela achava que sua mãe poderia recuperar a consciência e reconhecê-lo. A enfermeira disse "não".

Com isso, Howard se ergueu da beirada da cama da mãe, foi até o quarto dele e escreveu quatro linhas na máquina de escrever; "Tudo se foi, tudo acabou / Portanto, ergam-me sobre a pira / O banquete terminou / E as lâmpadas se apagam".

Então, o criador de Conan deixou a casa, subiu em seu carro, tirou o Colt do porta-luvas e deu um tiro na témpora. Ele tinha 30 anos.

As décadas que se seguiram não viram, como profetizou o Reverendo Richbourg, a danação de Howard, nem mesmo o viram relegado a uma nota de rodapé nas páginas da história como o escritor esperava.

Pelo contrário, as reimpressões das aventuras de Conan se tornaram bestsellers, e cerca de 50 anos após sua morte, suas histórias inspiraram três superproduções cinematográficas. Em 2006, no 100º aniversário de sua morte, Howard é considerado pelos especialistas e críticos literários como uma das figuras mais importantes da ficção fantástica moderna, o pai do gênero espada & feitiçaria.

Quanto a Cross Plains, naquela diminuta comunidade no centro do Texas, Howard se tornou um herói, o filho mais estimado do lugar; o trágico e talentoso escritor para o qual a cidade dedica um festival memorial anual, sempre em junho.

Por intermédio do imenso e indomável poder de sua imaginação, Robert E. Howard ofuscou seu status de excêntrico e até mesmo transcendeu seus créditos como criador de Conan. Ele se tornou imortal, e em algum lugar seja nas chamas do inferno, nos jardins do paraíso ou nas torres brilhantes da Hiperbórea de Conan – Howard está rindo.




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Bom... encontrei esta matéria numa revista wizard de 2006... achei por bem que deveria publica-la aqui para todos os fãs de Howard. Não tenho a intenção de quebrar direitos autorais, apenas propagar aos fãs este belo texto de Cristopher... nem tenho muito o que declarar... muitas pessoas associam o suicídio a covardia... mas alguns casos... talvez poucos deles... é um ato de coragem sem igual. Não consigo deixar de pensar que o caso do Howard não seja um destes...


Por puro egoismo meu... tenho o sentimento que ele foi cedo demaaais... mas... a grande verdade é que ele fez o seu papel. E FEZ MUITO BEM o seu papel.

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Re: Contos Selvagens!!!!

Mensagem por Yanker em Seg Fev 27, 2012 9:38 pm

Belo post camarada Josey, concordo que o Howard desempenhou bem seu papel, deixando um legado inestimável.
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Re: Contos Selvagens!!!!

Mensagem por Josey Wales em Seg Fev 27, 2012 10:38 pm

Pai do gênero Espada e Feitiçaria... que por sinal... é um dos gêneros que mais me agrada no mundo literário.

Mas, infelizmente, este gênero anda em baixa e as pessoas atualmente estão mais ligadas em mundos de fantasias ou mangas... :/

Sinto que anda faltando produção de qualidade no gênero.

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Re: Contos Selvagens!!!!

Mensagem por nandokiss em Dom Mar 18, 2012 12:06 pm

verdade. Infelizmente os mangás tomaram conta de boa parcela dentro da produção de gibis...

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Re: Contos Selvagens!!!!

Mensagem por Siegfried em Ter Maio 15, 2012 2:04 am

Bem, só consegui ler agora o Post, já o conhecia parcialmente, afinal, anos de ESC não foram completamente alheios a informações básicas sobre a curta vida do autor que interferiu muito nas nossas, mas desconhecia a matéria e sua íntegra...

Grave e solene o fim do primeiro artigo: "No inferno ele poderia ter chance de uma luta" uma assertiva lúgubre sobre um estado de espírito legado á impotência física e psicológica dele e talvez inconscientemente de nós todos sob o peso de milhares de anos de esforço civilizatório progressivo para reprimir e controlar sistematicamente a tudo e a todos (principalmente no sentido Foucaultiano)

Não é a toa que seus primeiros trabalhos nos ensaios sobre o Rei Kull e os Homens-serpente, seu conceito nada mais era que uma visão pioneira da crítica social pela via da literatura popular sobre o controle e dirigismo social da civilização por determinadas elites: a título de exemplo, tal como o moderno "matrix" ou o "1984" (Orwell). A de R.E.H era uma versão pré-histórica onde poucos homens (Kull e os pictos) adquiriam consciência da dominação repressiva de uma sociedade inteira por um raça de homens serpentes que se movem ocultos controlando os humanos através da orientação religiosa (provavelmente uma interpretação pessoal do autor de religiões de pretensões universalistas, majoritárias e intolerantes como o cristianismo católico)

Mas só retomando a discussão, sempre li que o gênero que ele realmente perenizou foi o de "Fantasia Histórica", pois o estilo dele sempre foi um tanto "Híbrido" e acho que ainda é até hoje... O estilo "Sword and Sorceress" nunca utilizou muito da história como ferramenta que eu lembre, isso era uma particularidade dele. Ao tempo que o gênero sempre foi mais afeito ao conceito fantástico/mitológico

Em tempo: ótimo post

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Re: Contos Selvagens!!!!

Mensagem por Josey Wales em Qua Maio 16, 2012 10:06 am

Será que esta crítica na escrita a civilização/sistema seria algo inconsciente ou consciente?

Concordo com o que diz sobre o ensaio do rei kull poder ser entendido como uma crítica social.... mas não sei (e provavelmente nunca saberemos) se era uma crítica consciente ou se o artista simplesmente o aflorava de forma inconsciente. Alias... é muito comum nem o próprio artista compreender todas as interpretações de sua obra.

Com relação ao termo "Sword and Sorceres"... bom... especulo que esta alcunha nasceu entre a decada de 70 ou 80... ou seja... bem posterior a vida e obra de Robert... Porém... acho impossível desvincular Howard do estilo S&S. Porque? Bom... atualmente S&S é uma classificação utilizada para historias com ambientação:

. medieval/antiga
. apocalíptico
. suspense/terror
. um certo grau de erotismo
. fantástico ritualístico (e não com bolas de fogo ou armas que falam)
. e com seres extraordinários mas não mitológicos. (em S&S não existem elfos, troll, unicórnios, minotauros e etc...)

Claro que sempre existe uma certa flutuação em um gênero literário... mas de certa forma S&S pode ser entendido como disse acima. E estas características são muito fortes aos contos de Howard, acrescentados ainda, um teor histórico.

Talvez o termo "fantasia histórica" até descrevesse melhor o gênero a qual howard atuava... mas... acho que atualmente este termo se perdeu e pode ser muito facilmente confundido com o "fantasia". Este, por sua vez, costuma ter uma ambientação:

. medieval/antiga
. bastante fantástica (itens mágicos, bolas de fogo, tapetes voadores e etc... tudo aqui é válido).
. muitos seres mitológicos (elfos, trolls, unicornios, minotauros, ciclopes e etc...)


bom... acho que é por isto que muitos (e eu também) acabamos por classificar Howard em S&S... rsrsr mas, claro... apenas uma visão minha e não uma tese de mestrado!!! rssrsrsrrs

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Re: Contos Selvagens!!!!

Mensagem por Siegfried em Qua Maio 16, 2012 12:07 pm

Josey Wales escreveu:Será que esta crítica na escrita a civilização/sistema seria algo inconsciente ou consciente?

Concordo com o que diz sobre o ensaio do rei kull poder ser entendido como uma crítica social.... mas não sei (e provavelmente nunca saberemos) se era uma crítica consciente ou se o artista simplesmente o aflorava de forma inconsciente. Alias... é muito comum nem o próprio artista compreender todas as interpretações de sua obra.

Concordo plenamente, a expressão artística de cada um não deixa de ser uma manifestação do "background" cultural do indivíduo com a realidade, e essa relação é e sempre será subjetiva.

Josey Wales escreveu:Com relação ao termo "Sword and Sorceres"... bom... especulo que esta alcunha nasceu entre a decada de 70 ou 80... ou seja... bem posterior a vida e obra de Robert... Porém... acho impossível desvincular Howard do estilo S&S. Porque? Bom... atualmente S&S é uma classificação utilizada para historias com ambientação:

. medieval/antiga
. apocalíptico
. suspense/terror
. um certo grau de erotismo
. fantástico ritualístico (e não com bolas de fogo ou armas que falam)
. e com seres extraordinários mas não mitológicos. (em S&S não existem elfos, troll, unicórnios, minotauros e etc...)

Claro que sempre existe uma certa flutuação em um gênero literário... mas de certa forma S&S pode ser entendido como disse acima. E estas características são muito fortes aos contos de Howard, acrescentados ainda, um teor histórico.

Talvez o termo "fantasia histórica" até descrevesse melhor o gênero a qual howard atuava... mas... acho que atualmente este termo se perdeu e pode ser muito facilmente confundido com o "fantasia". Este, por sua vez, costuma ter uma ambientação:

. medieval/antiga
. bastante fantástica (itens mágicos, bolas de fogo, tapetes voadores e etc... tudo aqui é válido).
. muitos seres mitológicos (elfos, trolls, unicornios, minotauros, ciclopes e etc...)


bom... acho que é por isto que muitos (e eu também) acabamos por classificar Howard em S&S... rsrsr mas, claro... apenas uma visão minha e não uma tese de mestrado!!! rssrsrsrrs

O principal vínculo que faz a ponte entre o S&S e o Fantasia histórica; que poderiámos até chamar de Howardiano visto o pioneirismo acho eu, é o fato de conter elementos ADULTOS, como o da violência e do sexo em contextos ficcionais, sobrenaturais e históricos (opcionalmente), enquanto a fantasia é o gênero mais abrangente, onde a sensualidade é reprimida e a violência sempre tende a cumprir um papel "benéfico"

É claro, isso é um constructo atual. Afinal se a gente for pensar em contos de Fantasia de agora, perceberemos que as versões de contos clássicos, tais como os de Andersen e dos irmãos Grimm encaixam-se perfeitamente no modelo que expus, mas se recuarmos no tempo para as versões "originais" dos mesmos contos (ou seja mais próximo do berço de sua tradição camponesa e oral) aí a coisa muda completamente de figura. É lógico que essa "transmutação" sempre atende a necessidades pedagógicas da cultura moderna, mas aí é outra história...

O esquisito é que parece que em termos literários, o "Fantasia" é bem mais consagrado popularmente falando e o S&S mais restrito, e o seria ainda mais não fosse fenômenos agredadores recentes como "RPG" e "caverna do dragão" por exemplo.

Mas no cinema a coisa é bem diferente: o equivalente S&S e Howardiano seria o "Sandália e espadas" (de contexto ficcional e histórico, geralmente oriundos do circuito Europeu e ambientados na antiguidade), fez tanto (ou mais) que filmes de fantasia, e foi muito popular na década de 60 produzindo tanto filme quanto gibi da Marvel...

Tô atrasado! fui... Very Happy

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Re: Contos Selvagens!!!!

Mensagem por Stigmata em Seg Ago 20, 2012 11:55 pm

usando a wiki como fonte... Li por lá que a diferença cabal entre fantasia medieval (ou high fantasy como o artigo nomeia) e o sword & sorcery é o fato de que na primeira os acontecimentos giram em torno de nações, batalhas épicas e disputas em grande escala tanto no plano político quanto no divino, enquando o S&S o negócio é mais voltado pra aventura de um persongem central, um protagonista e suas lutas nos mais diversos ambientes. Os exemplos mais claros de uma e de outra seriam senhor dos anéis e conan o bárbaro. Acredito que a utilização de recursos fantásticos e mitológicos dependa do autor, uma vez q consigo ver perfeitamente um conto de S&S ambientado na terra média e um high fantasy ambientado na era hiboriana hehe

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Re: Contos Selvagens!!!!

Mensagem por nandokiss em Dom Out 06, 2013 12:18 pm

Olá
bom dia amigos!
aproveitando o tópico, uma pergunta - existe algum site oficial sobre a obra de Robert E. Howard?


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Re: Contos Selvagens!!!!

Mensagem por Rogerio Rocha em Seg Out 07, 2013 1:46 pm

Existe sim inclusive já postei aqui em outro tópico, mas não encontrei agora. Depois eu posto novamente.

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Re: Contos Selvagens!!!!

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